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GAZETA DE POESIA INÉDITA

Espaço dedicado à divulgação de poesia original e inédita em língua portuguesa.

GAZETA DE POESIA INÉDITA

20
Jun18

JOÃO RASTEIRO - AO FOGO PURO

                                      Como a necessária chuva
                          Vens extenso e livre, purificar-nos
                                       Liberto Cruz


Hei-de habitar o fogo
ainda que em surdo pranto,
como a compaixão o amor.

É na boca da labareda
e na ânfora do coração do fogo,
proclamam firmes os crentes,
que tudo arde
e morre,

“eu prefiro o amor”
que não se oblitera na cinza
e se volta contra os deuses.

E onde ele é ardil transparente,
é das únicas castas
cujos bagos ou grãos de oiro
são alimentados
em seiva vermelho-sangue.

É nas entranhas da lava,
dizem aqueles de face antiga,
que tudo derrete
ignorando o lamento
das águas,

eu escolho o bem-querer
que ainda alimenta a rosa
e meu olhar no teu.

E onde ele se solidifica,
é das poucas monções
que se acerca até aos corpos
e até ao audível céu
do orvalho vivo.

“De outrem ou nossa é a morte”,
e entre o sentido e o furor,
o atalho, o amor impuro: fogo puro!


 

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