14
Fev21
VIVIANE DE SANTANA PAULO - OS IDEALISTAS
Um louco pensando ser um cara normal
Parou num bar e pediu uma bebida
E foi para uma mesa se sentar
Um bêbado descabelado e miserável
Encostado no balcão ficou olhando
O louco pediu para ele se sentar
O bêbado achou estranho
Não era de se esperar
Mas bebida é boa cara
Ainda mais de graça
Sentou-se a mesa do cara engraçado
O louco pensando ser um cara normal
Começou a falar de política
Queria mostrar também que sabia economia
Afrouxou a gravata
E disse que tinha uma namorada
O bêbado não dizia nada
Só se interessava em encher a cara
O ajudante achou perdido este mundo
Chamou o chefe para ver os dois vagabundos
O louco pensando ser um cara normal
Continuou certo de que com a sua genialidade
O bêbado estaria admirado
Afinal, o louco pensava que era intelectual
Foi internado depois de ter sido encontrado
Fazendo um comício de proletariado
O bêbado cansou de trabalhar
E ganhar salário fictício
Bebia porque queria justiça
E o que diziam quando pedia justiça
É que estava bêbado
Para não enlouquecer
Começou a beber
O louco pensando ser um cara normal
Desatou a beber até ficar bêbado
Pegou a garrafa e ía saindo informal
O ajudante veio reclamar a conta afobado
O bêbado disse que o louco pagaria
O louco chamou o bêbado de louco
O bêbado, o louco de bêbado
O ajudante no seu papel de pessoa social
Chamou o chefe para resolver o casual
O chefe viu o prejuízo
E os dois ainda discutindo
Foram postos na rua em juízo
Na calçada, um cão abandonado
Que nunca por ali havia passado
Ouviu a discussão coçando as sardas
Jurou não ter entendido nada
E atravessou a rua indiferente
Foi preso por uma carrocinha
Nada inocente