08
Mai20
ADÍLIA CÉSAR - ESTÁTUA
Pó de excentricidade na cor branca em botão.
Perfume de inquietação em flor abrupta.
A clareza das mãos, o presságio do perigo.
Olhos tombados em supremo esforço
abrem sulcos de seda na dureza.
A figura estremece, lívida
do alto da sua coluna em pausa.
E diz: basta.
E diz: as tuas mãos precisam de ser ouvidas.
E diz: não fiques entre escombros e areias irreais.
Desiste dessas perturbações esculpidas na tua vida
e desvenda o mistério do mármore,
a leveza criativa com a morte à espreita.