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Abr20
LUÍS FILIPE RODRIGUES - TINTA PERMANENTE
Pobre tinta permanente do punho
e dos dedos sai tão vã que não arde;
mais que cinza o que sobra no rascunho
rasurado quase ao cair da tarde.
Bem quisera tal rio tal vertigem
na mão achar, segredos de repente;
saber as linhas mães que velam, cingem
cada texto. E o tempo que mal se sente.
Perdido e nunca achado, eis assim
escrito e reescrito; como um facto
poema vai e vem e vai sem fim
por ainda lhe faltar peso exacto.
Se tinta nova chega à mão enfim
arma-se luz no corpo e logo um jacto.