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GAZETA DE POESIA INÉDITA

Espaço dedicado à divulgação de poesia original e inédita em língua portuguesa.

GAZETA DE POESIA INÉDITA

22
Mai19

ALICE CAETANO - O FIM DOS LABIRINTOS

 

 

 

De repente, o chão da estrada ficou branco. Aquele chão, que separava as mulheres, do labirinto.

Nem as sombras, que habitualmente se desenhavam nos muros,

Nem o sangue dos pés caminhantes…. já nada disso restava.

De repente, o sol fez-se uma enorme labareda e o sacrifício foi engolido,

assim como o cansaço, as trevas, a garganta seca, a água de lavar os pratos… tinham desaparecido.

Um espanto!

Aquele chão da estrada, agora branco!!

Aquela estrada do muro do labirinto, agora aberta!!

Aquele tempo cinzento e doloroso, agora iluminado!!

 

De repente, as mulheres começaram a cantar canções alegres.

Pousaram as canastras com as peças metálicas e dançaram.

Já nem sequer eram mulheres, eram asas peneireiras dos bosques.

Pareciam pássaros enormes chegados do Princípio do Futuro com os machados de sílex, capazes de destruir todas as portas trancadas e todos os regulamentos injustos.

 

Aproximaram-se os curiosos, vieram os noticiosos e os mensageiros observar tamanha revolução alada.

- As mulheres desfizeram o labirinto! – dizia-se por todo o lado!

- As mulheres cortaram os cabelos e vestiram-se de vermelho! – ouvia-se no rádio.

 - Que petulância! Que atrevimento! – vociferavam alguns, cheios de catarro.

Mas as mulheres continuaram, cada vez mais confiantes. Cada vez mais lindas! Porque os labirintos também se derrubam.

 

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