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GAZETA DE POESIA INÉDITA

Espaço dedicado à divulgação de poesia original e inédita em língua portuguesa.

GAZETA DE POESIA INÉDITA

04
Dez18

ANA LUÍSA AMARAL - O MASSACRE DOS INOCENTES

 

 

 

«Porquê o meu?»

e era uivo o seu grito,

um sino agudo dentro do pesadelo

 

Tinha-o envolto em panos coloridos,

tingidos com cuidados e dedos infinitos

antes de ele nascer,

e o sol que os embalava,

a ele, a ela,

cheirava a gume espesso

 

Mas ela estava acostumada ao sol,

ele é que não, tão fina a sua pele,

por isso o sustentava assim nos panos,

protegido do sol

 

E eles chegaram, os instrumentos

de matar nas mãos,

as emoções sem cor, enferrujadas,

que assim era preciso:

assassinar por dentro ideias como filhos

ou amor

 

«Porquê o meu?»

a pergunta estendeu-se, repetida, estirada como elástico

infinito, até que se partiu

 

Só o eco ficou, feito de sangue,

e nem aquele ainda por nascer

(entre palhas, se diz)

conseguiu responder à dor

naquele grito –

 

 

 

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