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GAZETA DE POESIA INÉDITA

Espaço dedicado à divulgação de poesia original e inédita em língua portuguesa.

GAZETA DE POESIA INÉDITA

23
Jul18

FERNANDO GUERREIRO - "NÃO SEI ESCREVER"

 

 

Não sei escrever,
nunca soube, apenas
mudar de lugar palavras,
ossos, na esperança
de que algum som,
rugido de um monstro
indisposto, introduza
desordem num mundo
de que já cobrimos
todas as superfícies.
Sharp cutting words,
próprias para talhar
imagens nas veias
exauridas de um pálido
crepúsculo. Na rua,
alguns têm dificuldade
em suportar o corpo
que arrastam como
se dentro de si um mioma
tivesse crescido que
agora se encavalita,
transportando-nos consigo
para todo o lugar
em que procuramos
abrigo. Nalguns casos.
de seres mais furiosos,
a alma (irradiante e
curva) irrompe, expelida
pelos 3 orifícios (vê
-se isso todos os dias
na série Sobrenatural,
por um punhado de escudos),
branca agora de tanto
se ter encardido. "Derrière
la vitre de cet aquarium
que l'on nomme écran
évoluent des poissons
à figure humaine", anjos
sem asas (Sharp cutting
winds) de que as línguas
foram cortadas rente
para que deixassem
de anunciar nos seus
voos (ao acaso,
variações léotard)
o eclipse do sacrifício
(Porque não vão
para mais longe?).
Car il faut avoir un OS.
le montrer d'un air
résolu et partir (finir),
como se nada se tivesse 
passado ou sequer existido.

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