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GAZETA DE POESIA INÉDITA

Espaço dedicado à divulgação de poesia original e inédita em língua portuguesa.

GAZETA DE POESIA INÉDITA

15
Jul19

LEONTINO FILHO - POR QUASE

 

No dia em que te conheci
já era ontem
correnteza, cheguei atrasado.

No dia em que te encontrei
já era amanhã
tremi, perdi a hora.

No dia em que te achei
já era agora
cinzas, voltei no tempo.

No dia em que te quis
já era sem tempo
voei, passei a vez.

No dia em que te saboreei
já era domingo
tão redonda ventania.

No dia em que te batizei
já era segunda
de vez, tornei-me pagão.

No dia em que te plantei
já era terça
qual punhado de prece.

No dia em que te aceitei
já era quarta
por pouco, errei o alvo.

No dia em que te libertei
já era quinta
nunca compreendi.

No dia em que te cheirei
já era sexta
que galope de ventos.

No dia em que te despertei
já era sábado
apenas rio de nuvens.

No dia em que te enfeiticei
já era como
igual, dentro de si mesma.

No dia em que te cerquei
já era quando
invernada do ser, em fuga.

No dia em que te amei
já era noite
o descaminho do sol se fez.

No dia em que te odiei
já era tarde
de improviso, a lua se soltou.

No dia em que te sonhei
já era depois
lamento, o desespero bateu.

No dia em que chorei
já era alegria
melindrosa, a solidão se instalou.

No dia em que me abandonei
(flagelado)
chegastes com desamor
(malvada).
Hoje e ontem
(bulas, rotas)
e era tarde
(cura, desdita)
para o amanhã
(ladrilhos, evangelho).
Era muito cedo
(brasa, tormenta)
para o presente
(entre ressaca).

No dia, um dia será.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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