Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

GAZETA DE POESIA INÉDITA

Espaço dedicado à divulgação de poesia original e inédita em língua portuguesa.

GAZETA DE POESIA INÉDITA

04
Set20

ALBERTO AUGUSTO MIRANDA - DAI-ME UMA JOVEM ABÓBORA

 

Dai-me uma jovem abóbora
antes de se tornar calondro
com ela tratarei a próstata
sem limpar os cantos à casa
todos os cantos devem permanecer
seja em cabaça seja em terra,
em terra de antergo, terra de avóboras.

Torna-se a casa uma abóbada de abóboras,
bem melhor que a dos “ossos que aqui estamos”
e tu, ó recém, ó jovem, estás em pólen
de andrógino primitivo inspirando Homero
como metáfora exata do amplexo,
ó jovem, ó resistente à metamorfose.

A tua pele é casca grossa? Finas
são as cebolas em divã, e tu abóbora gentil não te partiste,
outros te partiram. Falo contigo mesmo sabendo que em ti nada
entra, mesmo sabendo que de ti nada sai. És a coerência contra
a corrência, tens sabido esconder-te da paleontologia
 
Assim contigo brinco, faço pequenos furos para o penduro
dos brincos, como se tal brincadeira fosse a única forma
de comunicação com as tuas sementes, invadindo-te a dignidade
cindindo-te em cinderela já sem infância ou sem pátria como
dizia o Rilke.

Dai-me uma Lou-Abóbora-Salomé, não em bandeja
mas em creme reticular, sem casa-minto
sob a égide de Ninkasi, muito amarelinha, sumerina deusa
da suspensão em jardins onde tu, jovem abóbora, estás interditada
pelas leis da gravidade. Ó jovem bordão, violoncelo
de outra escala, tambor sem reverberação,
porque escolheste a minha virilha para te infiltrares?



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Mais sobre mim