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GAZETA DE POESIA INÉDITA

Espaço dedicado à divulgação de poesia original e inédita em língua portuguesa.

GAZETA DE POESIA INÉDITA

14
Dez19

ANTÓNIO JACINTO PASCOAL - A ARTE DE ESPERAR

 

A arte de esperar não tem muito que se diga.
Não está o homem preso ao capricho da terra?
Não é o escravo incapaz de transpor a fronteira de outras rosas?
E as árvores, alguma vez nos indignamos
por não serem elas grandes, fortes e frondosas?
Não, a arte de esperar não tem muito que se diga.

O que é bom permanece e é forte como os tempos.
Quem de mil anos viu chegar pirâmides e abrandar ventos
viu como o tempo obra tanto ao longe e traz ao perto.
Assim esperamos, pois esperar é nascer tarde.
Quem ergue um muro de paciência e sobre ele arde?
Não, a arte de esperar não traz tormento, isso é bem certo.

Os tempos, os tempos correm sem saber onde;
um século corre para cada parte e toda a glória passa,
e toda a esperança é só a arte que a si mitiga;
mas aonde ides vós tão à pressa, extremas aves,
se isso não faz diferença, se volveis de novo e tão suaves?
Não, a arte de esperar não tem muito que se lhe diga.

Sôbolos rios de Babilónia muitos esperaram por Sião
e com lamento devoraram a própria espera e a fadiga.
E até eu – eu que tardo bem no centro dos meus ossos
na longa tarde sem medida em que te espero
(a longa tarde tão longa e funda de mil poços) –
sei que a arte de esperar não tem muito que se lhe diga.




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