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GAZETA DE POESIA INÉDITA

Espaço dedicado à divulgação de poesia original e inédita em língua portuguesa.

GAZETA DE POESIA INÉDITA

30
Dez19

HELDER MOURA PEREIRA - A TÍSICA DO CONTO DE PESSOA

                             

                       Para o Fernando Cabral Martins

A tísica do conto de Pessoa
amava à distância
da sua janela. Quem amava
ela? Alguém que não
conhecia, só via, alguém
muito belo que nem sabia
que ela existia, sempre
recolhida por trás
da distância da sua janela.
A tísica do conto de Pessoa
tinha direito ao amor,
nem que fosse à distância,
pelo menos amor era
como se dizia naquele tempo,
foi como Pessoa disse naquele
tempo. Mas não podia
ser amor, nunca poderia
ser, aquilo era só atracção,
mais uma vez atracção.
Há é atracções felizes
e outras que o não são.
A tísica do conto de Pessoa,
mais do que o amor impossível,
amava a impossibilidade
do amor. Coisa mais pura não
há, só isso lhe permitiu mandar
uma carta a despedir-se
de uma coisa que nunca houve
nem nunca poderia haver.

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