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GAZETA DE POESIA INÉDITA

Espaço dedicado à divulgação de poesia original e inédita em língua portuguesa.

GAZETA DE POESIA INÉDITA

14
Abr19

RAMIRO S. OSÓRIO - POÈME demi-GROS

 

 

 

recordo que RECORDO

ou nem sequer

 

já não sei se recordo

ou apenas finjo

je n’ai "plus de souvenirs que si j’avais mille ans"

mon reac Baudelaire

 

"au-delà de cette grille le ticket n’est plus valable"

 

je n’ai plus de souvenirs

 

por isso esfinge

 

qual JANELA ABERTA qual carapuça

qual CAMPO VERDE DE MAIO qual FATO DE BANHO VERDE NOVO 

qual MEU PENSAMENTO DE TI qual nada disso 

 

mas calcula tu a coincidência

ontem mesmo veio parar às minhas mãos a carta que me escreveste

onde dizias que tinhas dado de comer ao gato antes de

 

ai a tua primeira última carta 

 

mas já não há papoilas em irún

é natural 

não somos de plástico

não podia ficar ali especado para sempre aquele CAMPO VERDE DE MAIO 

nem o tal MEU FATO DE BANHO VERDE NOVO

seria de um mau gosto atroz

recordar é sempre de mau agouro

que seja a capuchinho ou a virginia feroz

com os bolsos cheios de ofélias

para ir para o fundo mais devagar

lendo o único wilde mesquinho e grandioso

com suas contas à salazar

 

sim O TEJO continua cá

mas já não mora na FILOSOFIA 

tal como nós já não temos AS COSTAS QUEIMADAS

 

aquele POÈME GROS recordava o ano anterior

 

quantos se passaram depois?

quantos fatos de banho?

curtos

compridos 

compridões

seguindo da moda os padrões

 

UM ANO DEPOIS, EU TENHO:
A JANELA ABERTA, MEU PENSAMENTO DE TI
O CAMPO DE MAIO E O MEU FATO DE BANHO VERDE VELHO 

é a única coisa que vale a pena recordar

 

toda outra nostalgia é de fugir

tão pirosa ela é

tão indigna de mim

 

farias hoje 80 anos

se não tivesses morrido há 11

EU QUERIA TER: A JANELA ABERTA, MEU PENSAMENTO DE TI
O CAMPO VERDE DE MAIO E O MEU FATO DE BANHO VERDE NOVO

quem sabe contas sabe tudo

conta-me um conto de encantar

sem contas para pagar

que se lixe o WILLY LOMAN

não fui feito para isso

não fui feito para nada

eu é que faço 

eu é que me faço


VERDE DE 17 ANOS MAS NUNCA DE 18 PORQUE OS TENHO.

 

A LUA NASCE ATRÁS DOS CIPRESTES 

E LINDA LOMAN DIZ QUE NÃO PODE CHORAR WILLY 

NÓS APLAUDIMOS E TOMAMOS UM GELADO

sim lembro-me perfeitamente dessa  lua

só não me lembro se não terei sido eu que a inventei

quando referi 

no POÈME GROS

essa representação do caixeiro viajante na tapada da ajuda

 

MORREREMOS MAIS TARDE
SEM TER FEITO MAIS QUE TOMAR GELADOS E APLAUDIR OU PATEAR 

MORREREMOS

E TALVEZ VÃO DIZER AO NOSSO CEMITÉRIO QUE NÃO NOS PODEM CHORAR 

E ENTÃO NÃO APLAUDIMOS.

 

tu morreste em paris e eu “devia estar em viagem devia estar em viagem”

como é dito num conto do thomas wolfe (o único)

 

nem só os caixeiros são viajantes

os velhos surfistas também 

 

sempre de mar em mar

em busca de terras perdidas onde ainda é verão

acaba-se por encontrar o verão que não tem fim

 

VAMOS USAR SEMPRE FATOS DE BANHO VERDES
E FAZERMOS COMO SE
COMO SE NÃO DEVÊSSEMOS FAZER MAIS NADA
COMO SE DEVÊSSEMOS SÓ USAR FATOS DE BANHO VERDES 

COMO SE ESTIVÉSSEMOS CONTENTES E APAIXONADOS 

quem sabe se o não estou

não digo sempre

(que monotonia seria)

mas neste momento pequenino que voltou

 

ADEUS EU 

ADEUS COMO SE
NÃO NOS VÍSSEMOS AMANHÃ

ou

 

 

 

 

(26 Fevereiro 2019 - Último poema da série “Poemas para Minou”)

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