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GAZETA DE POESIA INÉDITA

Espaço dedicado à divulgação de poesia original e inédita em língua portuguesa.

GAZETA DE POESIA INÉDITA

14
Out19

YURI PIRES - SUPERNOVA

 

 

Sutil e intrincado, desce o inverno

sobre o sul de tanto sol e sombra;

maior, muito mais, que o astro-rei,

finda-se de vez a suave criatura.

 

Dissipam-se, assim, ponteiros, sons,

astrolábios, cansonhos, melodias;

bandeiras a meio mastro, sombrias,

hesita o rouxinol, canta no breu,

 

assobiam gralhas, grasnam corvos,

crocitam abutres: o amor morreu,

arrastando consigo quem o cria

força perpétua, propulsor de estrelas.

 

E, agora, afinal, para ouvi-las,

não importa a galáxia (enigmagem,

espessura cerrada e mineral),

assomar, leve e precária imagem,

 

não importam as frias gelosias,

nem os biombos sutis e sibilinos;

surdo e tresloucado, eu vibro,

num ciciar de sussurros sinuosos,

 

trepidação tênue de derrotado

que gane como cão encardido

transido de frio, sob céu estrelado.

Sou soturno, sinistro, inadequado.

 

No vasto universo, luciluz, todavia,

uma supernova de silêncio e esplendor,

a morte como princípio da vida.

Embora tudo seja Nada, abismo e dor.

 

 

 

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